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Pesquisas eleitorais e Prévia de resultados

Como a proximidade das eleições somos bombardeados pela mídia com dezenas de pesquisas eleitorais com os mais variados jargões recheados de “tecniquês”.

Você já parou para pensar por uns instantes como são feitas estas pesquisas?

A ideia deste artigo é tentar desvendar e entender todos aqueles termos que tanto ouvimos, que pela dinâmica da exposição destas informações na televisão, no rádio, nos podcasts, em jornais ou revistas passam despercebidos ao grande público. 

Imaginemos, hipoteticamente, uma eleição entre três (3) candidatos à prefeitura numa grande cidade brasileira.

Durante a sua campanha os candidatos divulgarão os seus planos e as suas metas, bem como oferecem alternativas para resolver os maiores problemas que afligem a população.

Neste cenário é natural que se encomendem pesquisas de intenção de voto com a finalidade de avaliar quais os candidatos mais bem colocados, ou seja, com as maiores chances de ocupar o principal cargo da cidade.

Se um lado estas pesquisas são uma oportunidade para os candidatos reavaliarem as suas estratégias durante campanha, por outro lado, para a população estas pesquisas buscam prever o resultado da eleição, portanto, é mais um caminho para que o eleitor eventualmente possa fazer uma nova avaliação de seu voto ou reforçar a promoção de seu candidato predileto.

Durante o período eleitoral todas as pesquisas devem ser registradas junto à Justiça Eleitoral antes de sua efetiva divulgação, além de torná-la pública também é uma proteção ao próprio sistema eleitoral, para que não sejam divulgadas informações falsas ou de órgãos de pesquisas sem histórico de credibilidade que podem eventualmente influenciar os eleitores mudando o rumo das eleições.

Assim, sempre que tiver dúvidas sobre alguma pesquisa eleitoral verifique se o seu registro está regular no portal do TSE (www.tse.jus.br).  

E como isto acontece?

Primeiramente é contratado um instituto de pesquisa que não tenha nenhum conflito de interesse com o tema, mitigando o risco de que os dados coletados possam conter uma tendência não desejada na apuração dos resultados.

É elaborada uma ficha com perguntas, geralmente simples e objetivas, que serão direcionadas aos entrevistados. Isto pode acontecer presencialmente ou por telefone, por exemplo.

Depois é definida uma amostra, que nada mais é do que a quantidade e o perfil das pessoas que serão pesquisadas, obviamente que a melhor situação seria entrevistar toda população, mas isto seria uma tarefa impossível dependendo do tamanho da cidade.

Então é definida uma quantidade limitada de munícipes, que devem guardar semelhança e características com a população da cidade, que representa um grupo muito maior, a qual  chamamos de universo.

Estas semelhanças são as variáveis da pesquisa, são as características de nossa população, portanto, são fundamentais para que os dados apurados demonstrem corretamente as intenções e as tendências de opinião, são por exemplo:

  • o gênero,
  • a escolaridade,
  • a renda,
  • a idade e etc.

Para ficar mais claro imaginemos que em nossa cidade os idosos representem 32% da população, logo a nossa amostra (parcela da população que será pesquisada) também deve refletir este percentual, do contrário a tendência da pesquisa pode não refletir a intenção de população (universo).

Portanto, para a eficácia de uma pesquisa a amostra (parte da população) deve ser uma reprodução nas mesmas proporções das variáveis (características) do universo (população).

Uma vez que são definidas e calculadas todas as variáveis para a amostra é dado o início do ciclo de entrevistas, são definidos os locais procurando diversificar as áreas geográficas, mantendo os mesmos critérios de proporcionalidade das características entre os entrevistados, respeitado as eventuais diferenças socioeconômicas entre as regiões da cidade.

Uma vez encerrado o ciclo de entrevistas todos os dados são compilados e tratados estatisticamente.

Já notaram que na divulgação das pesquisas sempre constam informações como margens de erro ou índices de confiança?

Como não é viável entrevistar toda população (universo) da cidade o resultado obtido na consulta de parte da população (amostra) pode não representar o total com exatidão, assim é atribuída uma margem de erro na pesquisa, na prática quanto maior a quantidade de entrevistados, menores serão as faixas de erro.

As margens de erro são obtidas por cálculos e modelos estatísticos, no Brasil a margem de erro geralmente está entre 2% e 4%.

Ou seja, em uma pesquisa eleitoral o candidato “A” possuir 35% das intenções de votos, o candidato “B” possuir 33%, o “C” com 10% e os indecisos 22% com uma margem de erro de 3% com um índice de confiança de 95%.

Isto significa que o valor obtido do candidato “A” de 35% pode variar em mais (+) ou menos (-) em 3%, ou seja, entre 38% (35%+3%) e 32% (35%-3%), e mesmo vale para o candidato “B” podendo oscilar entre 36% e 30%, e assim por diante.  

Note que, dada a margem de erro, os candidatos “A” e “B” partilham um espaço comum entre os intervalos citados acima, isto resulta numa incerteza sobre a previsão do vencedor desta eleição.

Neste contexto dizemos que os candidatos estão tecnicamente empatados. Mas e o que é o tal índice de confiança que geralmente são destacados nas pesquisas?

O índice de confiança, também conhecido como intervalo de confiança ou nível de confiança, é geralmente definido entre o contratante e o instituto contratado, que de modo mais simplificado representa a probabilidade da pesquisa eleitoral confirmar o resultado da eleição se a mesma ocorresse naquele momento, já considerando a margem de erro. 

Geralmente o índice de confiança é de 95%, ou seja, a probabilidade de a pesquisa eleitoral retratar a realidade é de 95%.

Em outras palavras, do ponto de vista prático, significa que se descartarmos 5% das amostras coletadas o restante dos pesquisados, ou seja, os outros 95% continuarão a retratar o resultado das intenções de votos.