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Estado e capitalismo pós-pandemia

Novo formato de capitalismo?

“Não podemos voltar à normalidade. O normal é o que nos levou não apenas a este caos, mas também à crise financeira e à crise climática”. Essas palavras têm um significado especial para a América Latina, uma região com alto nível de desigualdade e pobreza, que luta contra as mudanças climáticas e com muitas de suas comunidades atingidas pela pandemia de Corona Vírus.

Então, como podemos evitar voltar à normalidade pré-pandemia? Por que as pessoas não deveriam querer voltar a isso?” 

Esta é uma das preocupações da economista Mariana Mazzucato, professora de Economia da Inovação na University College London, na Inglaterra, onde também é diretora-fundadora de um instituto de inovação na mesma universidade. Também é autora do livro “O Estado empreendedor: Desmascarando o mito do setor público vs. setor privado”. 

Mas, afinal, o que é Estado?

E o que é capitalismo?

Antes de avançarmos, vamos “clarear” alguns conceitos importantes

No campo da Geografia e, principalmente, da Geopolítica, um dos conceitos mais relevantes é o de Estado, escrito com “E” maiúsculo, diferente, portanto, do estado com “e” minúsculo, que se refere a uma província ou subdivisão de um determinado país. Por exemplo: São Paulo, Minas Gerais e Bahia são exemplos de estados (“e” minúsculo).

Já o Estado (“E” maiúsculo) corresponde ao conjunto de instituições no campo político e administrativo que organiza o espaço de um povo ou nação. Para o Estado existir, é necessário que ele possua o seu próprio território e que exerça sobre este a sua cidadania, ou seja, o Estado deve ser a autoridade máxima na área a ele correspondente. Os elementos essenciais para a formação do Estado é o território, a população e a soberania, que é garantida por meio das leis e do estabelecimento de suas fronteiras.

Assim, ele representa tudo o que é público dentro de um país, incluindo uma série de instituições, tais como as escolas, os hospitais, as forças armadas, as prisões, a polícia, os órgãos de fiscalização, as empresas estatais, entre outras.

Fonte: “Mundo Educação – conceito estado”

Capitalismo, ou modo de produção capitalista, é uma forma de organização social marcada pela separação entre os proprietários e controladores dos meios de produção (máquinas, matérias-primas, instalações etc.) e os que não possuem e não controlam os meios de produção, dependendo exclusivamente da venda de sua força de trabalho, através do salário, para sobreviver.

Fonte: “Mundo Educação – conceito capitalismo”

Segundo Mariana Mazzucato, é importante ressignificar como vemos, entendemos e falamos sobre o Estado. A maioria das pessoas o “demonizam” e generalizam que o Estado é uma entidade burocrática que simplesmente promove a lentidão, o que não é verdade.

A autora citada defende uma mudança radical do capitalismo para o mundo pós-pandemia por meio de uma nova economia global, mais justa, verde e inclusiva. E assim nos convida a refletir sobre temas importantes como o papel do Estado, o papel da inovação e das novas tecnologias dentro do que seria um projeto nacional de desenvolvimento. 

Vivemos em uma era que o Estado está sendo podado, os serviços públicos estão sendo terceirizados, os orçamentos estatais sendo cortados e o medo, ao invés da coragem, está determinando muitas estratégias nacionais. Boa parte destas mudanças está sendo feita em nome de mercados mais competitivos e mais dinâmicos.

Em seus livros e palestras a economista nos convida abertamente para mudarmos a forma como falamos do Estado e de seu papel na economia, bem como as imagens e ideias que utilizamos para descrever este papel. Só então poderemos começar a construir o tipo de sociedade que queremos viver e queremos que nossos filhos vivam. 

Mariana cita que no mundo, vários projetos de desenvolvimento foram feitos pelo Estado. Como exemplo, nem internet nós teríamos se não fosse o investimento do Estado americano no projeto da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency/Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa). Enfatiza que sem o investimento estatal de forma empreendedora nem a Apple@ existiria, e certamente a revolução dos smartphones iniciada pela companhia de Steve Jobs nem estive acontecendo, pois o que ele fez foi surfar em tecnologias que o Estado estava desenvolvendo.

O mercado financeiro (capital de risco) não tem paciência para esperar os seus investimentos gerarem frutos. Sendo assim, o Estado precisa fazer e suprir este papel que as empresas não fazem. Por isto, o Estado precisa de uma nova compreensão e de um novo olhar.

Ele cria projetos de infraestrutura, tais como estradas, pontes, escolas, e até para os mais progressistas, cria condições para este setor privado prosperar. É o Estado que investe em setores de elevada incerteza e altos riscos, e consequentemente Mazzucato denomina isto de “Estado empreendedor”.

Vivemos numa sociedade carente de recursos, e com altos níveis de desigualdade e pobreza. Isto significa que existem populações muito vulneráveis e com enormes dificuldades para enfrentarem uma crise como a que estamos passando agora no ano de 2020.

Diante disto, os Estados devem criar valor investindo e inovando para encontrar novas maneiras de fornecer serviços públicos às populações vulneráveis na economia informal. Quando os Estados ficam em segundo plano e não se preparam para crises (o que aconteceu em muitos países, não apenas na América Latina), sua capacidade de oferecer serviços públicos é fortemente prejudicada.

Mas esses serviços públicos devem fazer parte de um sistema de inovação: cidades verdes e crescimento inclusivo exigem inovação social e tecnológica.

👍Mas afinal, do que que é formado e como funciona um sistema de inovação?

Este será o tema do nosso próximo texto. Continue acompanhando nossa página. Este texto utilizou como principal referência o texto que pode ser acessado no link abaixo: https://epocanegocios.globo.com/Economia/noticia/2020/08/economista-que-defende-uma-mudanca-radical-do-capitalismo-para-o-mundo-pos-pandemia.html