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“Todo dia era dia de índio”

Olá! Outro dia, ouvi uma música que fala dos índios brasileiros.

Como gosto muito da representatividade da música como força de questionamento, fui atrás de outras músicas, de seus versos e de todo conhecimento que estivesse ali contido.

Desse dia em diante, passei a me interessar e percebi que, quase todos os dias, há notícias nos jornais sobre os “índios”.

Pude notar inúmeras pessoas debatendo o futuro dos “índios”, mas não vi respeito e conhecimento nesses debates!

Logo, achei-me na obrigação de divulgar alguns conceitos e espaços de conhecimento sobre o assunto já existentes, enfim esse texto busca levar a todos uma ideia do que significa e representa ser um “ ÍNDIO”.

Conceitos

Primeiro passo, busquei apenas a descrição de indígena na Wikipedia, onde temos:

“São designados como povos aborígenes, autóctones, nativos, ou indígenas aqueles que viviam numa área geográfica antes da sua colonização por outro povo ou que, após a colonização, não se identificam com o povo que os coloniza

A expressão povo indígena, literalmente “originário de determinado país, região ou localidade; “nativo“, é muito ampla, abrange povos muito diferentes, espalhados por todo o mundo. Em comum, têm o fato de que “cada um se identifica com uma comunidade própria, diferente, acima de tudo, da cultura do colonizador”.

Essa descrição deixa claro que índios estavam numa terra, tinham a posse, sua própria cultura, seus costumes e que foram invadidos e colonizados! 

Segundo o texto de Gersom dos Santos Luciano, numa publicação do MEC/Unesco em 2006, o povo indígena brasileiro está se reduzindo e se descaracterizando.

Reproduzi uma frase do livro para incentivar a cada um de vocês a conhecer nosso povo original da terra que chamamos Brasil:

 “Há uma grande diferença entre os milhões de povos nativos que habitavam as terras que hoje chamamos de Brasil, desde milhares de anos antes da chegada dos portugueses e, as poucas centenas de povos denominados indígenas que atualmente compõem os 0,4% da população brasileira, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2001).

A diferença não é só de tempo, nem de população, mas principalmente de cultura, de espírito e de visão do mundo sobre o passado, o presente e o futuro. Estimativas apontam que no atual território brasileiro habitavam pelo menos 5 milhões de pessoas, por ocasião da chegada de Pedro Álvares Cabral, no ano de 1500. Se hoje, esse contingente populacional está reduzido a pouco mais de 700.000 pessoas, muitas coisas ruins as atingiram.”

Logo, vamos partir da ideia de que existe um grupo colonizador que quer sobrepor sua visão sobre um povo que ocupa um espaço.

Pronto! Temos uma clara necessidade de se discutir os direitos de ambos os lados. 

Afinal, os chamados colonizadores se colocam como uma categoria de pessoas superiores, cujo desenvolvimento, cujos padrões devem se sobrepor.

Devem mesmo?

Por quê?

São melhores? Piores? OU DIFERENTES?

Mas esse texto não pretende ser um texto de ciências sociais e sim um texto que valoriza a música como fonte de questionamento.

Pediremos em breve para alguém mais qualificado da sociologia, história e até do Direito falar sobre o assunto.

Música e seu poder de conscientização

Sendo assim, vou usar a música para pedir que pare e pense se realmente o colonizador pode e/ou deve se sobrepor, desrespeitar um povo, desarticular culturas!

Jorge Bem

Na década de 70, Jorge Bem criou a música:

 “Curumim chama cunhatã” que eu vou contar (Todo dia era dia de índio), eternizada por Baby do Brasil.

Essa música nos leva exatamente ao conceito de indígena apresentado nos dicionários, onde o próprio conceito está muito ligado a uma palavra pesada e discutível, DOMINAÇÃO. 

Vivemos na era da tecnologia e da inovação ainda cabe um conceito tão primitivo, onde se pode perder o conhecimento e os valores de uma nação ou de um povo, simplesmente por “PODER”?  Ou devemos aprender, respeitar e compartilhar?

Vamos ver essa letra e, se possível, assista o vídeo!

  • “Curumim chama cunhatã que eu vou contar
  • Cunhatã chama curumim que eu vou contar
  • Curumim, Cunhatã, Cunhatã, Curumim
  • Antes que os homens aqui pisassem nas ricas e férteis
  • Terraes Brasilis
  • Que eram povoadas e amadas por milhões de índios
  • Reais donos felizes da terra do pau Brazil
  • Pois todo dia e toda hora era dia de índio
  • Mas agora eles têm só um dia
  • Um dia dezenove de abril
  • Amantes da pureza e da natureza
  • Eles são de verdade incapazes
  • De maltratarem as fêmeas
  • Ou de poluir o rio, o céu e o mar
  • Protegendo o equilíbrio ecológico
  • Da terra, fauna e flora pois na sua historia
  • O índio é exemplo mais puro
  • Mais perfeito…”

Ainda hoje temos bem menos índios no Brasil.

Podemos aculturá-los como desejam alguns? Catequizá-los como querem outros?

Torná-los parte de um processo mercantil como desejam outros?

Ou devemos respeitá-los e aprender com eles?

Caetano Veloso

Corremos o risco de um dia ter que esperar um índio descer dos céus para nos ensinar sobre a simplicidade, a natureza e a vida humana, como cantou Caetano por meio da música “Um índio”

  • “Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
  • De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
  • E pousará no coração do hemisfério sul
  • Na América, num claro instante
  • Depois de exterminada a última nação indígena
  • E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
  • Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias
  • Virá! Impávido que nem Muhammad Ali
  • Virá que eu vi. Apaixonadamente como Peri
  • Virá que eu vi. Tranquilo e infalível como Bruce Lee
  • Virá que eu vi. O axé do afoxé Filhos de Gandhi
  • Virá. Um índio preservado em pleno corpo físico
  • Em todo sólido, todo gás e todo líquido
  • Em átomos, palavras, alma, cor
  • Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
  • Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
  • Do objeto-sim…”

Através de várias figuras de linguagem, Caetano coloca o drama da extinção de nações indígenas, fala do que é natural, verdadeiro e real.

Nossos “índios” possuem uma ligação tão especial com a natureza, com a leveza de seu Deus, será que precisamos mudá-los para dominar ou precisamos aprender com sua simplicidade tão forte e presente?

Ronaldo Bastos e Beto Guedes

Na carreira de Milton Nascimento temos uma música perfeita que mostra essa relação entre nossos “índios” e a natureza, que se chama “Amor de Índio”. Compositores Ronaldo Bastos e Beto Guedes. Vamos ler e compreender essa letra: 

  • “Tudo que move é sagrado
  • E remove as montanhas
  • Com todo cuidado, meu amor
  • Enquanto a chama arder
  • Todo dia te ver passar
  • Tudo viver ao teu lado
  • Com o arco da promessa
  • No azul pintado pra durar
  • Abelha fazendo mel
  • Vale o tempo que não voou
  • A estrela caiu do céu
  • O pedido que se pensou
  • O destino que se cumpriu
  • De sentir teu calor
  • E ser todo
  • Todo dia é de viver
  • Para ser o que for
  • E ser tudo
  • Sim, todo amor é sagrado
  • E o fruto do trabalho
  • É mais que sagrado, meu amor
  • A massa que faz o pão
  • Vale a luz do teu suor
  • Lembra que o sono é sagrado
  • E alimenta de horizontes
  • O tempo acordado de viver
  • No inverno te proteger
  • No verão sair pra pescar
  • No outono te conhecer
  • Primavera poder gostar
  • No estio me derreter
  • Pra na chuva dançar
  • E andar junto
  • O destino que se cumpriu
  • De sentir teu calor
  • E ser tudo”

Nossos índios, nossos mestres da simplicidade!

Quantos remédios das grandes farmacêuticas foram extraídos de sua cultura?

Quantos aprendizados sobre animais e vegetação que os cientistas utilizam, estão presentes nos ensinamentos de um Pajé?

Quanto podemos aprender com eles sem modificá-los?

Legião Urbana

Novamente, a música nos coloca para pensar.

O Legião Urbana foi explícito nesses questionamentos na música Índios.

Os versos de Renato Russo são fortes e merecem ser lidos, compreendidos e debatidos:

  • “Quem me dera ao menos uma vez
  • Ter de volta todo o ouro que entreguei a quem
  • Conseguiu me convencer que era prova de amizade
  • Se alguém levasse embora até o que eu não tinha
  • Quem me dera ao menos uma vez
  • Esquecer que acreditei que era por brincadeira
  • Que se cortava sempre um pano de chão
  • De linho nobre e pura seda
  • Quem me dera ao menos uma vez
  • Explicar o que ninguém consegue entender
  • Que o que aconteceu ainda está por vir
  • E o futuro não é mais como era antigamente
  • Quem me dera ao menos uma vez
  • Provar que quem tem mais do que precisa ter
  • Quase sempre se convence que não tem o bastante
  • Fala demais por não ter nada a dizer
  • Quem me dera ao menos uma vez
  • Que o mais simples fosse visto
  • Como o mais importante
  • Mas nos deram espelhos e vimos um mundo doente
  • Quem me dera…”

Renato Russo introduz o conceito da ganância, da necessidade de poder, da sobreposição de um grupo de pessoas sobre as demais. Estamos na era da tecnologia, essa era iguala muita coisa, questiona muitos valores e isso tende a se intensificar num futuro próximo. Leia o texto Capitalismo pós pandemia.

Seu Jorge

Para finalizar esse meu texto que pretende, por meio da música, levar o conhecimento e o questionamento! Peço que ouçam e leiam a letra da música que Seu Jorge levou ao público chamada “Índio”. Composição de Seu Jorge e Gabriel Moura.

  • “Há quinhentos anos
  • Eram cinco milhões
  • De índios felizes no Brasil
  • Cada um em sua oca
  • Cada oca em sua taba
  • Cada taba em sua mata
  • Cada rio, cada peixe, cada bicho, bicho
  • Um por todos, todo mundo nu
  • E cada um na sua, e cada um na sua
  • E cada um na sua, e cada um na sua
  • Boto tamanduá, cocar, sucuri, pitu
  • Jacarandá, anta, cajá, curumim
  • Arara, jaguatirica, mandioca,
  • Jiboia, jacaré, vitória régia,
  • E cada um na sua, e cada um na sua
  • E cada um na sua, e cada um na sua
  • Hoje são duzentos e cinquenta mil
  • Mataram milhões de tristeza e solidão
  • Na bala, no chicote, na humilhação
  • Índio foi queimado vivo quando dormiu
  • Índio comeu peixe poluído do rio
  • Índio quer saber se chega ao ano dois mil
  • Índio vem morar numa favela do rio
  • Numa favela do rio, numa favela do rio
  • Caiapó, tupi, Xingu
  • Guarani, tchucarraman
  • Acolhei ó Tupã, Pataxó Pataxó
  • E cada um na sua, e cada um na sua
  • E cada um na sua, e cada um na sua”

Enfim a música é fundamental para nos fazer pensar, estudar, debater e construir conhecimento e OPINIÃO.

Como eu disse durante o texto, aqui nós falamos da música levando ao questionamento de valores, padrões e necessidades, não há uma preocupação com números, dados ou retidão da História dos nossos irmãos índios, aqui falamos do poder da Música. 

A dominação de povos acontece na história da humanidade na busca da Evolução ou do Poder, civilizações foram destruídas com guerras durante toda a história humana. 

Mas hoje em dia não precisamos mais extinguir uma nação, apenas aprender a conviver e compartilhar. 

Essa verdade ainda incomoda muito as pessoas que só aprenderam a sobrepor, desrespeitar e que buscam resultados imediatos. 

Mas tenho certeza que as novas gerações serão diferentes!

Agradecendo

Vou finalizar com uma imagem especial que criei para homenagear as todas as nações indígenas!

  • Acuntsu Aicanãs Ajurus Amanaiés Amondauas Anambés Aparaí Apiacás Apinajés Apurinã Aranãs Arapaços Arapiuns Araras do Aripuanã Araras do Pará Arauetés Aricapus Aruás Assurinis do Tocantins Asurini do Xingu Aticuns-umãs Auetis Avás-canoeiros Bacairis Banauás-iafis Baníuas Barasanas Barés Boraris Bororos Caapores Cadiueus Caiabis Caiapós Caiapós-xicrins Caimbés Caixanas Calabaças Calapalos Cambebas Cambiuás Canamaris Canelas Canindés Cantarurés Capinauás Capons Carajás (tribo) Carapanãs Carapotós Cariris Cariris-xocós Caritianas Catuenas Catuquinas Caxararis Caxixós Chamacocos Charruas Chiquitanos Cintas-largas Cocamas Coripaco Corubos Craós Crenaques Cricatis Cubeos Cuicuros Culinas Culinas-pano Curuaias Deni Desanos Djeoromitxí Enawenê-nawê Fulniôs Galibis do Oiapoque Galibis-maruornos Guajajaras Guatós Hixkaryana Ianomâmis Iaualapitis Icpengues Iecuanas Ikolen Iranxes Jamamadis Jarauaras Javaés Jenipapos-canindés Jeripancó Jiahui Jumas Jurunas Kalankó Kanoê Karajá do Norte Karipuna de Rondônia Karuazu Kaxuyana Kisêdjê Koiupanká Kotiria Krahô-Kanela Kujubim Kwazá Macus Macuxi Makuna Makurap Marubos Matipus Matis Matsés Maués Maxacalis Mbiás Meinacos Menquis Migueleno Miranhas Miritis-tapuias Mundurucus Muras Nambiquaras Naruvotu Náuas Nauquás Ofaiés Oro-uins Paí tavyterã Palicures Panarás Pancararés Pancararus Pancarás Pancarus Pankaiuká Paracanãs Paracatejê-gavião Parintintins Patamona Pataxós Pataxós-hã-hã-hães Paumaris Pipipãs Pirarrãs Piratapuias Pitaguaris Política indígena do Brasil Potiguaras Pucobié-gavião Puruborá Quiniquinaus Quiriris Ricbactas Sakurabiat Sirianos Suruí de Rondônia Suruís-aiqueuaras Suruuarrás Tabajaras Tapaiúnas Tapebas Tapirapés Tapuias Tarianas Taurepangues Tembés Tenharins Terenas Ticunas Timbira Tingui-botós Tiriós Torás Tremembés Trucás Trumai Tsunhuns-djapás Tronco macro-jê Tronco tupi

Foto da capa: Fenanda Novaes

Sugestão de pesquisas:

Direitos dos povos indígenas Brasil de Direitos

Site oficial da FUNAI Página Inicial — pt-br (www.gov.br)

Portal índios do Brasil Portal:Índios do Brasil – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)